Projeto Expressão Comunitária encerra suas atividades em 2015

No último sábado (5), o coletivo de jornalismo independente Candeia encerrou a segunda turma da Oficina de Introdução ao Jornalismo e Audiovisual Independentes do Expressão Comunitária e também nosso projeto em 2015. No evento de encerramento, contamos com a presença da jornalista Mariana Godoy, que apresenta o programa Mariana Godoy Entrevista (RedeTV), e também com a jornalista, documentarista e fotógrafa, Valéria Almeida, que atua como repórter no Profissão Repórter (TV Globo). Foram apresentadas as reportagens elaboradoras pelos alunos do Expressão Comunitária. A primeira delas ressaltou a importância e necessidade do feminismo e a segunda, apresentou as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes que chegam ao Brasil.

As jornalistas Mariana Godoy e Valéria Almeida contaram sobre suas experiências pessoais e profissionais, lembrando de reportagens e de entrevistas realizadas em suas trajetórias. Além disso, ressaltaram a importância de ser imparcial e ouvir os dois lados da reportagem, nunca impondo seus valores pessoais durante as entrevistas ou na formatação do conteúdo apresentado. Também foram discutidos a presença da mulher no jornalismo televisivo e o racismo. As jornalistas assistiram aos trabalhos apresentados e elogiaram o engajamento e produção, além de fornecerem dicas e orientações para os alunos do projeto.

O evento ocorreu no Centro Educacional Unificado (CEU) Quinta do Sol, região de Vila Cisper, Zona Leste, e teve a presença de alunos e seus familiares, que acompanharam a apresentação dos trabalhos realizados durante o período em que compareceram à oficina. As reportagens elaboradas pelos alunos estão publicadas abaixo em nosso canal do YouTube, DoisP.

CONFIRA AS REPORTAGENS APRESENTADAS:

FEMINISMO:

IMIGRAÇÃO:

 

CONFIRA AS FOTOS DO EVENTO

_MG_0005_MG_0098 _MG_0103    

candeia_expressaocomunitaria_MG_0007_MG_0010_MG_0015_MG_0021_MG_0022_MG_0027_MG_0034_MG_0043_MG_0042_MG_0047_MG_0048_MG_0055_MG_0057_MG_0056_MG_0059_MG_0093_MG_0096_MG_0074 _MG_0080 _MG_0152 _MG_0081 _MG_0098 _MG_0103_MG_0099_MG_0110_MG_0115_MG_0118_MG_0121_MG_0123_MG_0125_MG_0148_MG_0152_MG_0161
_MG_0169
_MG_0177_MG_0175_MG_0176_MG_0182_MG_0186_MG_0185_MG_0183_MG_0190_MG_0191_MG_0195_MG_0193_MG_0199

Consumo de narguilé entre adolescentes preocupa autoridades de saúde

Com o cerco se fechando em volta do cigarro, a indústria do tabaco tenta captar novos públicos para manter seus lucros. Dentre as principais apostas para atrair consumidores cada vez mais cedo está o narguilé. Com recipientes coloridos e essências perfumadas, o produto vem sendo consumido em grande parte por adolescentes, colocando autoridades de saúde em alerta.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), no Brasil pelo menos 212 mil pessoas fazem uso de narguilé. Comparando os dados da PNS aos da Pesquisa Especial de Tabagismo, feita em 2008, constatou-se que, num período de cinco anos, de 2008 a 2013, a proporção de homens fumantes na faixa dos 18 aos 24 anos que consomem narguilé subiu 139%, passando de 2,3% para 5,5%.

Intitulada “Parece inofensivo, mas fumar narguilé é como fumar cem cigarros”, uma campanha do Ministério da Saúde busca informar sobre os riscos do consumo deste produto. Convivendo cotidianamente com fumantes nas escolas em que estudam, este tema despertou o interesse dos adolescentes da primeira turma da Oficina de Introdução ao Jornalismo e Audiovisual Independentes do projeto “Expressão Comunitária”, que realizou uma reportagem em vídeo para elucidar sobre o assunto.

Acompanhe o trabalho realizado pelas alunas Emilly Martins, Mayara Alves, Marina Sousa, Nathaliê Roberta e Yara Silva sobre a introdução do narguilé entre adolescentes e seus principais malefícios para o corpo.

Periferia luta por espaços para promover cultura

Uma das principais reivindicações da periferia é a luta por espaços para disseminação de cultura. A população que reside nos extremos, na maioria das vezes, precisa deslocar-se até o centro das cidades para frequentar espaços de lazer ou de conhecimento. Porém, nesses bairros afastados do centro, existe muita música, muita arte, poesia, sarau e talentos prontos para serem ouvidos e compartilhados. Este ano de 2015 começou, no estado de São Paulo, com mais um fator agravante para aqueles que querem produzir e usufruir da cultura. O governador Geraldo Alckmin chegou a cortar cerca de R$ 13 milhões que seriam investidos no setor, o que gerou fechamento de oficinas e mais dificuldades para que os projetos se mantenham ativos.

Pensando nisto, a primeira turma da Oficina de Introdução ao Jornalismo e Audiovisual Independentes do projeto “Expressão Comunitária” realizou uma reportagem em vídeo para discutir essa problemática. Por que a periferia, tão rica em cultura, sofre tanto para ter acesso a ela? Como os principais coletivos conseguem se formar e realizar atividades? Como atrair a população para esses espaços? Como conscientizar de sua importância?

Essas foram algumas das perguntas respondidas na reportagem assinada por Caroline Bueno, Junior Anacleto, Kamuky Moyshy, Sabrina Muniz e Ygor de Jesus. Acompanhe no vídeo acima o primeiro trabalho da nossa turma e conheça parte dos responsáveis pela disseminação de cultura e arte na Vila Cisper, em São Paulo.

Não gostar de bolo é normal

Uma das principais torturas era ir a festas de aniversário. Não que não gostasse das festinhas, mas diferente da maioria dos presentes, não ia pela comida, muito menos pelo bolo. Queria ir embora antes de cantar os parabéns, assim evitaria aquela cena: você não gosta de bolo? Como alguém não gosta de bolo? E os olhos, e as explicações, sempre tão cansativas. Por que deveria gostar de bolo, afinal? Não gostava de bolo, era simples.

Não gostava dos olhares também, nem de ter que explicar os motivos de gostar ou não. Sua família, que convivia com ela diariamente, já havia se acostumado. “Ah não, não se preocupe, ela não gosta mesmo. Não gosta muito de doce”. A mãe se explicava, na tentativa de poupá-la e quando percebia que a filha já estava de saco cheio e poderia a qualquer momento perder a paciência – o que seria bem pior. Não gostar de bolo e defender que não comeria bolo para agradar os outros não era uma escolha fácil, mas mais difícil ainda era fazer o que não sentia vontade apenas porque era o normal, o aceito pela sociedade.

Pensava: a vida era mais fácil para quem gostava de bolo. Conhecia algumas pessoas que não gostavam também, mas por educação e para não passar pelo que ela passava, fingiam gostar. “Olha, você não precisa gostar, apenas finja que gosta. As pessoas não vão falar nada. Coma um pedacinho para agradar e evite essas situações constrangedoras”. E ela já chegou a pensar em comer bolo. Mas era mais forte do que ela. Ela simplesmente não tinha vontade e não se trairia, não faria aquilo que não tivesse vontade, era não ser quem ela era. Chegava a ter pena daqueles que não gostavam, mas queriam evitar olhares.

Parou de frequentar festas de aniversário. Chega uma hora que cansa dar explicações. Encontrou pessoas iguais a ela. Encontrou algumas outras que odiavam pessoas iguais a ela. Não gostar de bolo é afrontar regras para essas. “Já pensou se todo mundo for igual sua filha? Se fosse com a minha, ia comer o bolo inteiro até aprender a gostar”, falaram para sua mãe. E ela sentiu raiva. Sua mãe não tinha nada a ver com suas vontades e não precisava ouvir aquilo. “A culpa é sua por ela não gostar de bolo. Você não ensinou pra ela o que era certo”. Não, mãe, a culpa não é sua e nunca foi. Não existe “culpa”, existe o sim e o não. Existe o honesto e o falso. Existem escolhas e condições.

Não gostar de bolo é uma condição. Condições não são escolhas. Gostar não é escolha. Condições diferentes das aprovadas pela maioria é viver em guerra. Contrariar a maioria é ser discriminado. Essa menina que não gosta de bolo sou eu.

Créditos da imagem: Bolo de prestígio da Nestlé (essa é pra vocês que gostam de bolo ;* haha)

Depoimentos emocionados preenchem a ‘Caminhada em Memória à Laura Vermont e todas as Vítimas de Transfobia’

Organizado pelas militantes LGBT Luiza Coppierters e Aline Freitas, hoje (27) ocorreu no centro de São Paulo a ‘Caminhada em Memória a Laura Vermont e todas as Vítimas de Transfobia no Brasil’. Laura Vermont, 18 anos, jovem trans moradora da periferia de São Paulo, foi assassinada na madrugada de sábado (20) – um crime que envolve também, segundo investigação da Polícia Civil,  dois policiais militares que atenderam o caso. O ato contou com homenagens às 71 transexuais mortas em 2015.

De acordo com Aline Freitas, o sentido da caminhada e alertar sobre as frequentes mortes de transsexuais no País. “Particularmente, para mim, esse ato tem o sentido de alertar sobre a morte de muitas travestis e transexuais no Brasil. Quando as mortes são muito frequentes, a gente tende a perder a sensibilidade e isso faz parte de um círculo vicioso que na medida em que você não tem mais sensibilidade, você tem mais mortes frequentes”, acredita a organizadora do evento que foi promovido via rede social. “Resolvemos fazer essa homenagem para a Laura e colocá-la no lugar de humanidade que foi negado durante toda a vida dela. Muitas vítimas são criminalizadas, são consideradas elas mesmas as culpadas. A gente também merece que as pessoas chorem por nossas vítimas”, complementa.

11109490_841152725953485_8566833922628780290_o
Modelo Viviany Beleboni, ‘crucificada’ na Parada Gay 2015/Aline Mariane

Durante a manifestação, foi feito um minuto de silêncio em respeito a todas as vítimas da transfobia e também foram lidos seus nomes, idades e motivo de morte. Esta atitude serviu para humanizar cada um dos números lançados e esquecidos em meio às estatísticas. Laerte Coutinho, cartunista, esteve presente no ato e também ressaltou a importância de se marcar posição. “É super chato a gente ter que misturar dor e revolta no mesmo momento, teoricamente deveria ser possível a gente viver a dor e a revolta em outros momentos. Mas o que está acontecendo com a população LGBT, principalmente T, é escandaloso demais, está ocorrendo um massacre. Então, essa caminhada tem o sentido de ser mais uma situação da gente tentar manifestar e construir um momento de unidade nessas formulações todas que são precisas”, afirma.

11709861_841152335953524_6281149994977898196_o
Movimento Mães pela Diversidade/Aline Mariane

O grupo Mães Pela Diversidade e Viviany Beleboni, modelo transexual que foi hostilizada por grupos conservadores após fazer uma encenação de crucificação na Parada Gay de São Paulo deste ano, também estiveram presentes prestando seu apoio para a família de Laura e a comunidade LGBT. Maju Giorgi, representante das Mães pela Diversidade, reforça a presença do grupo no ato e da visibilidade. “As pessoas não sabem que está havendo um verdadeiro genocídio da comunidade trans. E nós, como mães também de trans, precisamos fazer alguma coisa. Hoje é a filha dela e amanhã é a nossa. Temos que estar presentes e sermos comprometidas com a causa”, exclamou.

caminhada21
Zilda Laurentino, mãe de Laura Vermont, recebendo solidariedade de Viviany Beleboni/Aline Mariane

Zilda Laurentino, mãe de Laura Vermont, mesmo muito emocionada, fez questão de dar seu depoimento no megafone. “Mataram a milha filha. Nós vamos chegar em casa e ela não vai estar. Ela simplesmente queria sair, era jovem, e as nossas autoridades tiraram sua vida. E agora, cadê eles? Estão na rua. Eu quero justiça de todos os lados. A minha filha eu não vou ter de volta, mas enquanto eu tiver vida, vou viver por isso”, concluiu.

O candomblé nada tem a ver com o Diabo, diz babalawo

Na semana passada, uma manifestação de intolerância religiosa gerou polêmica nas redes sociais levantando a discussão do preconceito velado ainda existente em nosso país contra o culto às religiões de matriz africana. Uma menina de 11 anos, iniciada no Candomblé, foi apedrejada na cabeça por evangélicos enquanto caminhava na Vila da Penha, no Rio de Janeiro, com amigos do culto. Ainda no Rio de Janeiro, em setembro do ano passado, um garoto de 12 anos foi impedido de frequentar as aulas na escola em que estudava por usar guias de candomblé. As ocorrências que têm ganhado mais destaque nos últimos anos ressalta um problema derivado, muitas vezes, do desconhecimento.

Para entender um pouco mais sobre o candomblé e as religiões africanas, o Candeia entrevistou o presidente do Instituto Akhanda, Alexandre Schuma. Na entrevista acima, você poderá compreender o que é cultuado no candomblé, os principais problemas advindos da intolerância religiosa e a ligação da cultura brasileira e da cultura africana nesta religião. Confira!