Como foram os anos de chumbo para o ex-guerrilheiro Ismael Souza

Durante os anos do Regime Militar (1964 – 1985), muitos contrários ao tipo de governo implantado fundaram grupos de guerrilha para combatê-lo e recolocar o país em uma democracia. Ismael Souza foi um deles. Muito jovem, iniciou suas atividades de luta no “partidão”, como era conhecido o então Partido Comunista Brasileiro. Após sua dissidência do partidão, integrou a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), grupo de extrema-esquerda formado em 1966 a partir da união dos dissidentes da organização Política Operária (POLOP) com militares remanescentes do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR). Passou um período conturbado de sua vida, em que conheceu Carlos Mariguella, Joaquim Câmara Ferreira, Carlos Lamarca, entre outros ícones daquele período.  Torturas e prisões fizeram parte de sua rotina e, hoje, ele conta sua história a quem queira saber sobre aqueles anos. Em uma palestra aos alunos do Instituto Federal de Salto, Ismael dissecou sobre sua vivência naquele período e fez críticas aos atuais movimentos de esquerda e aos que pedem por impeachment e uma possível nova intervenção militar. Saiba nesta entrevista suas opiniões, baseadas em toda sua experiência. 

Consumo de narguilé entre adolescentes preocupa autoridades de saúde

Com o cerco se fechando em volta do cigarro, a indústria do tabaco tenta captar novos públicos para manter seus lucros. Dentre as principais apostas para atrair consumidores cada vez mais cedo está o narguilé. Com recipientes coloridos e essências perfumadas, o produto vem sendo consumido em grande parte por adolescentes, colocando autoridades de saúde em alerta.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), no Brasil pelo menos 212 mil pessoas fazem uso de narguilé. Comparando os dados da PNS aos da Pesquisa Especial de Tabagismo, feita em 2008, constatou-se que, num período de cinco anos, de 2008 a 2013, a proporção de homens fumantes na faixa dos 18 aos 24 anos que consomem narguilé subiu 139%, passando de 2,3% para 5,5%.

Intitulada “Parece inofensivo, mas fumar narguilé é como fumar cem cigarros”, uma campanha do Ministério da Saúde busca informar sobre os riscos do consumo deste produto. Convivendo cotidianamente com fumantes nas escolas em que estudam, este tema despertou o interesse dos adolescentes da primeira turma da Oficina de Introdução ao Jornalismo e Audiovisual Independentes do projeto “Expressão Comunitária”, que realizou uma reportagem em vídeo para elucidar sobre o assunto.

Acompanhe o trabalho realizado pelas alunas Emilly Martins, Mayara Alves, Marina Sousa, Nathaliê Roberta e Yara Silva sobre a introdução do narguilé entre adolescentes e seus principais malefícios para o corpo.

Alceu Castilho encerra primeira turma do Expressão Comunitária com palestra sobre jornalismo

O jornalista e escritor Alceu Castilho encerrou, no último sábado (10),  a primeira turma da oficina de introdução ao jornalismo e audiovisual independentes do Expressão Comunitária, projeto ministrado pelo coletivo de jornalismo independente Candeia. O evento ocorreu no Centro Educacional Unificado (CEU) Quinta do Sol, região de Vila Cisper, Zona Leste, e teve a presença de alunos e seus familiares, que acompanharam a apresentação dos trabalhos realizados durante o período em que compareceram à oficina. Dentre os assuntos abordados pelos alunos nas produções, se destacaram o crescente uso do narguilé (cachimbo de origem oriental utilizado para fumar tabaco) por adolescentes e a necessidade de intervenções culturais nas periferias.

No discurso aos presentes sobre as perspectivas do jornalismo, Alceu Castilho salientou a importância do jornalismo contra-hegemônico e o desafio de se manter na profissão buscando sempre a verdade e a relevância dos povos menos favorecidos; além de ter feito críticas aos grandes impérios comunicacionais que detêm o poder da informação. Destacou, também, a falta de visão que o ‘jornalismo empresarial’ tem das periferias, que, segundo ele, não destaca mortes em rincões da cidade com a mesma relevância de mortes no Jardins (bairro de alto padrão na Zona Sul de SP), por exemplo.

O autor do livro “Partido da Terra”, em que relata a atuação de políticos ruralistas na obtenção de grandes latifúndios a partir de “roubos de terras públicas”, deu grande importância também ao jornalismo que busca questionar o “poder vertical” dos detentores do capital da comunicação e empresários na formação da opinião pública.

Por fim, Castilho parabenizou os alunos pelos trabalhos realizados na oficina e coletivos independentes que tentam, de alguma forma, se manter no cenário com projetos semelhantes.

SEGUNDA TURMA

O Expressão Comunitária está recrutando novos alunos para a segunda turma, que terá início no próximo sábado, dia 17/10, no mesmo local.  O público alvo são alunos a partir do segundo ano do ensino médio de escolas públicas da região onde se localiza o CEU Quinta do Sol, na Vila Cisper, Zona Leste. Por ser um projeto em início, a capacidade de cada turma se limita à apenas dez alunos.  Os interessados devem enviar e-mail para o endereço [email protected]

CONFIRA AS FOTOS DO EVENTO 

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Dívida grega é impagável e saída do país da zona do euro é fundamental, afirmam especialistas

Gastando mais do que deveria, a Grécia vem passando por profundas dificuldades financeiras após a crise mundial de 2008. Hoje, a dívida do país obtida por meio de empréstimos em bancos europeus – principalmente franceses e alemães –  chega a 180% do seu Produto Interno Bruto (PIB), o que ocasionou uma enorme fuga de capitais e de investimentos.  

Pressionado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia e Banco Central Europeu (BCE), seus principais credores,  o governo do premiê Alexis Tsipras, do partido Syriza,  foi eleito com a proposta de não ceder às chantagens dos membros da Troika, mas acabou firmando um acordo de austeridade que semanas antes havia sido reprovado pela maioria dos gregos em um referendo. A atitude foi considerada como traição pela maioria e gerou uma enorme revolta popular,  que ocasionou a renúncia de Tsipras e a convocação de novas eleições. Mas o que levou a Grécia a enfrentar essa crise e quais as consequência dela para a União Europeia e para o mundo?

Para entender melhor sobre o assunto, o Candeia conversou com o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP) Paulo Roberto Feldmann; com o professor do Instituto de Relações Internacionais também da Universidade de São Paulo (IRI/USP) Kai Enno Lehmann e com o jornalista e pesquisador político da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Aldo Cordeiro Sauda. Saiba, também, se a crise grega pode afetar o Brasil e quais as possíveis medidas para a recuperação do país.

Trabalhadores tomam as ruas de SP por respeito à democracia e aos direitos sociais

Organizado por centrais sindicais e movimentos sociais, o Grande Ato por Liberdade, Direitos e Democracia reuniu na tarde desta quinta-feira (20) milhares de trabalhadores nos principais centros financeiros da cidade de São Paulo. Segundo a organização, mais de 100 mil pessoas fizeram parte do ato (75 mil, segundo a PM) que cobrou respeito ao mandato da presidente Dilma Rousseff e aos direitos sociais, que, segundo eles, estão sendo duramente atingidos pelos atuais ajustes efetuados pelo governo.

O ato teve início por volta das 17h, no Largo da Batata, em Pinheiros, Zona Oeste, e percorreu o trajeto até a Avenida Paulista, principal cartão postal da cidade. Além de profundas reformas nos sistemas tributário, urbano, agrário e educacional, os manifestantes também bradavam a favor de maior participação popular na política brasileira, além do afastamento do atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, denunciado por corrupção na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

O Candeia esteve presente por toda a manifestação e registrou os principais momentos e falas. Acompanhe no vídeo acima entrevistas com alguns líderes sindicais e de movimentos sociais que fizeram parte da marcha.

Quem se importa com o metrô de SP?

Quando me deparo com reclamações das ciclovias/faixas e corredores de ônibus “não planejados”, penso que vivo em qualquer cidade virtual do ‘The Sims’ que não seja a real São Paulo. Por incrível que pareça, hoje se critica mais a criação de 479 km de faixas exclusivas para ônibus e 472,7km de malha cicloviária do que 78,4 km de metrô e 2,9 km de monotrilho. Como dizem os matemáticos, neste caso, “menos é mais”?

Desde a implementação de medidas para a melhor circulação na cidade – uma das principais promessas de Haddad – , a prefeitura de São Paulo vem travando batalhas jurídicas para ninguém botar defeito. As vítimas, quase sempre, as ciclovias e os corredores ditos “não planejados”. Mesmo com aprovação de 80% da população, por vezes, as obras viárias para ciclistas são vítimas de críticas e ataques. Grande parte destes projetos, após muita alimentação do ódio da ala conservadora paulistana e uns dias de travamentos jurídicos, são aprovados por magistrados que, estes sim, dizem que existe planejamento prévio. Mas e o metrô? Com seus míseros 80km, será que alguém se importa com ele? Ou não segregando o espaço do carro, tudo ok?

Nas últimas semanas, pude selecionar para a confecção deste texto algumas manchetes sobre o enorme desperdício de dinheiro e tempo com as obras da ‘minhoca de metal’ e do ‘revolucionário’ monotrilho. Prometido para 2012, depois para 2015 e agora para 2018, apenas 2, 9km deste transporte dito ‘inovador’ estão em funcionamento – e com tarifa sendo cobrada. A estimativa é que a obra completa custe aos cofres do estado cerca de R$ 7,1 bilhões.

Outro feito ‘bem planejado’ é a linha 4 – amarela. Prometida há 11 anos, é uma obra que pode entrar até para os livros de história. Na época, Lula e George Bush ainda estavam em seu primeiro mandado de governo, e os adolescentes – hoje adultos – curtiam a Vagabanda na Malhação, famosa série da Globo. E para enriquecer ainda mais sua biografia, o Governo do Estado, após gastar R$ 20,4 milhões com o contrato, rescindiu o documento com a empresa Isolux Córsan-Corviam – que tocava a obra – por irregularidades. Com a nova licitação, o governo terá duplo dano financeiro em época de recessão. Convenhamos que irregularidades nas obras do metrô não são novidades, basta se informar com a Alstom, Siemens e outras empresas que fizeram parte do famoso cartel, em que a reforma de trens custou 40% mais caro que a compra de novos. Mas, quem se importa?

O metrô de São Paulo nasceu na década de 70, mesmo período em que a cidade de Seul, na Coreia do Sul, ganhava também seu sistema metroviário. De lá pra cá, a diferença na malha é gritante: em Seul, pode-se contar com mais de 300km de trilhos, com as mesmas dificuldades de trâmites que aqui. E sem citar a Cidade do México, com seus 225,9 km. E, para quem curte esperar mais um pouco, não há decepções: até 2017 não teremos nem um  km a mais de metrô. No ritmo atual, SP levaria 172 anos para ter uma malha como a de Londres, por exemplo. E aí, já se importou?

Embora sejam obras diferentes, Haddad é atacado cotidianamente por tocá-las, enquanto Alckmin é blindado de críticas. Por um lado, um tem bons índices de aprovação;  já o outro segue no rodapé das pesquisas. Será que a população paulistana que critica tais medidas municipais prefere andar de ônibus e bicicleta e por isso cobra com mais afinco? Acho que duas ou três tachinhas podem responder essa pergunta.

Penso que, talvez para alguns, o metrô seja entendido como um presente do governo estadual, e não uma obrigação e principal promessa de campanha de Alckmin e dos tucanos anteriores. Será que, em questão de transporte sobre trilhos, o que vier é lucro? Em 2018, o provável candidato do PSDB ao Planalto será Alckmin. Se eleito, poderemos dizer que a Síndrome de Estocolmo é o principal dos males que enfrentamos, e que durante a semana em horário comercial ele estará convidado para o abraço coletivo involuntário dentro dos vagões do metrô de SP. Tem convite mais afetivo?