Entrevista: professor de Processo Penal fala sobre desdobramentos e polêmicas da Operação Lava Jato

Considerada a maior investigação sobre corrupção conduzida até hoje no Brasil, a Operação Lava Lato chega a sua 24° fase, intitulada ‘Aletheia’. Criada para investigar uma rede de doleiros, a operação conduzida pela Polícia Federal descobriu um enorme esquema de corrupção envolvendo empreiteiras e políticos na 9° maior petroleira do mundo, a Petrobrás.  O debate sobre a legalidade das ações de seu condutor, o juiz Sérgio Moro, veio à tona após um mandado de condução coercitiva contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Lava Jato já expediu quase cem mandados de prisão, 117 conduções coercitivas e abriu investigação contra cerca de 50 políticos.

Para entender melhor sobre o assunto e seus desdobramentos, o candeia foi até o Fórum João Mendes e conversou com o juiz, mestre e doutor em Processo Penal e professor universitário Guilherme Madeira. Acompanhe alguns pontos principais sobre a operação e sua repercussão internacional. 

 

 

 

 

Como foram os anos de chumbo para o ex-guerrilheiro Ismael Souza

Durante os anos do Regime Militar (1964 – 1985), muitos contrários ao tipo de governo implantado fundaram grupos de guerrilha para combatê-lo e recolocar o país em uma democracia. Ismael Souza foi um deles. Muito jovem, iniciou suas atividades de luta no “partidão”, como era conhecido o então Partido Comunista Brasileiro. Após sua dissidência do partidão, integrou a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), grupo de extrema-esquerda formado em 1966 a partir da união dos dissidentes da organização Política Operária (POLOP) com militares remanescentes do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR). Passou um período conturbado de sua vida, em que conheceu Carlos Mariguella, Joaquim Câmara Ferreira, Carlos Lamarca, entre outros ícones daquele período.  Torturas e prisões fizeram parte de sua rotina e, hoje, ele conta sua história a quem queira saber sobre aqueles anos. Em uma palestra aos alunos do Instituto Federal de Salto, Ismael dissecou sobre sua vivência naquele período e fez críticas aos atuais movimentos de esquerda e aos que pedem por impeachment e uma possível nova intervenção militar. Saiba nesta entrevista suas opiniões, baseadas em toda sua experiência. 

Consumo de narguilé entre adolescentes preocupa autoridades de saúde

Com o cerco se fechando em volta do cigarro, a indústria do tabaco tenta captar novos públicos para manter seus lucros. Dentre as principais apostas para atrair consumidores cada vez mais cedo está o narguilé. Com recipientes coloridos e essências perfumadas, o produto vem sendo consumido em grande parte por adolescentes, colocando autoridades de saúde em alerta.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), no Brasil pelo menos 212 mil pessoas fazem uso de narguilé. Comparando os dados da PNS aos da Pesquisa Especial de Tabagismo, feita em 2008, constatou-se que, num período de cinco anos, de 2008 a 2013, a proporção de homens fumantes na faixa dos 18 aos 24 anos que consomem narguilé subiu 139%, passando de 2,3% para 5,5%.

Intitulada “Parece inofensivo, mas fumar narguilé é como fumar cem cigarros”, uma campanha do Ministério da Saúde busca informar sobre os riscos do consumo deste produto. Convivendo cotidianamente com fumantes nas escolas em que estudam, este tema despertou o interesse dos adolescentes da primeira turma da Oficina de Introdução ao Jornalismo e Audiovisual Independentes do projeto “Expressão Comunitária”, que realizou uma reportagem em vídeo para elucidar sobre o assunto.

Acompanhe o trabalho realizado pelas alunas Emilly Martins, Mayara Alves, Marina Sousa, Nathaliê Roberta e Yara Silva sobre a introdução do narguilé entre adolescentes e seus principais malefícios para o corpo.

Periferia luta por espaços para promover cultura

Uma das principais reivindicações da periferia é a luta por espaços para disseminação de cultura. A população que reside nos extremos, na maioria das vezes, precisa deslocar-se até o centro das cidades para frequentar espaços de lazer ou de conhecimento. Porém, nesses bairros afastados do centro, existe muita música, muita arte, poesia, sarau e talentos prontos para serem ouvidos e compartilhados. Este ano de 2015 começou, no estado de São Paulo, com mais um fator agravante para aqueles que querem produzir e usufruir da cultura. O governador Geraldo Alckmin chegou a cortar cerca de R$ 13 milhões que seriam investidos no setor, o que gerou fechamento de oficinas e mais dificuldades para que os projetos se mantenham ativos.

Pensando nisto, a primeira turma da Oficina de Introdução ao Jornalismo e Audiovisual Independentes do projeto “Expressão Comunitária” realizou uma reportagem em vídeo para discutir essa problemática. Por que a periferia, tão rica em cultura, sofre tanto para ter acesso a ela? Como os principais coletivos conseguem se formar e realizar atividades? Como atrair a população para esses espaços? Como conscientizar de sua importância?

Essas foram algumas das perguntas respondidas na reportagem assinada por Caroline Bueno, Junior Anacleto, Kamuky Moyshy, Sabrina Muniz e Ygor de Jesus. Acompanhe no vídeo acima o primeiro trabalho da nossa turma e conheça parte dos responsáveis pela disseminação de cultura e arte na Vila Cisper, em São Paulo.

Dívida grega é impagável e saída do país da zona do euro é fundamental, afirmam especialistas

Gastando mais do que deveria, a Grécia vem passando por profundas dificuldades financeiras após a crise mundial de 2008. Hoje, a dívida do país obtida por meio de empréstimos em bancos europeus – principalmente franceses e alemães –  chega a 180% do seu Produto Interno Bruto (PIB), o que ocasionou uma enorme fuga de capitais e de investimentos.  

Pressionado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia e Banco Central Europeu (BCE), seus principais credores,  o governo do premiê Alexis Tsipras, do partido Syriza,  foi eleito com a proposta de não ceder às chantagens dos membros da Troika, mas acabou firmando um acordo de austeridade que semanas antes havia sido reprovado pela maioria dos gregos em um referendo. A atitude foi considerada como traição pela maioria e gerou uma enorme revolta popular,  que ocasionou a renúncia de Tsipras e a convocação de novas eleições. Mas o que levou a Grécia a enfrentar essa crise e quais as consequência dela para a União Europeia e para o mundo?

Para entender melhor sobre o assunto, o Candeia conversou com o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP) Paulo Roberto Feldmann; com o professor do Instituto de Relações Internacionais também da Universidade de São Paulo (IRI/USP) Kai Enno Lehmann e com o jornalista e pesquisador político da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Aldo Cordeiro Sauda. Saiba, também, se a crise grega pode afetar o Brasil e quais as possíveis medidas para a recuperação do país.

Trabalhadores tomam as ruas de SP por respeito à democracia e aos direitos sociais

Organizado por centrais sindicais e movimentos sociais, o Grande Ato por Liberdade, Direitos e Democracia reuniu na tarde desta quinta-feira (20) milhares de trabalhadores nos principais centros financeiros da cidade de São Paulo. Segundo a organização, mais de 100 mil pessoas fizeram parte do ato (75 mil, segundo a PM) que cobrou respeito ao mandato da presidente Dilma Rousseff e aos direitos sociais, que, segundo eles, estão sendo duramente atingidos pelos atuais ajustes efetuados pelo governo.

O ato teve início por volta das 17h, no Largo da Batata, em Pinheiros, Zona Oeste, e percorreu o trajeto até a Avenida Paulista, principal cartão postal da cidade. Além de profundas reformas nos sistemas tributário, urbano, agrário e educacional, os manifestantes também bradavam a favor de maior participação popular na política brasileira, além do afastamento do atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, denunciado por corrupção na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

O Candeia esteve presente por toda a manifestação e registrou os principais momentos e falas. Acompanhe no vídeo acima entrevistas com alguns líderes sindicais e de movimentos sociais que fizeram parte da marcha.