Lulopetismo em risco: a queda de Dilma e do PT nunca esteve tão próxima

Apresentar um plano de recuperação econômica é obrigação do governo; colocar a culpa de tudo na imprensa não é o melhor caminho

Com o pedido de prisão do ex-presidente Lula feito pelo Ministério Público de São Paulo torna-se evidente a insatisfação de toda uma classe que busca desesperadamente a solução final para a crise econômica e política que assola o país. A cúpula petista colaborou para tal, primeiro com ataques diretos a Lava Jato e, em seguida, por meio do afastamento do até então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, destituído do cargo por não conseguir delimitar ações daqueles que comandam as instituições responsáveis pelo combate à corrupção. Tal ação foi um recado direto do planalto a Sergio Moro e, como vimos logo em seguida durante a 24ª fase da operação, o cerco à Lula foi a “melhor resposta” encontrada pelos investigadores para justificar que manteriam sua independência investigativa mediante o governo federal.

Desde o escândalo do mensalão o Partido dos Trabalhadores mostra que o trato de seus dirigentes com a imprensa é risível. Esconder seus próprios erros por detrás da cortina midiática é uma péssima estratégia e deixa o partido indefeso perante uma força sobrenatural que é a imprensa brasileira. Lula, Dilma e outros líderes petistas deveriam aprender com Getúlio Vargas, que mesmo em momentos de enormes adversidades, criou meios efetivos de comunicação com a sociedade – lembremo-nos do jornal “Última Hora”, revolucionário no país e financiado por Vargas junto a Samuel Wainer, jornalista até então opositor ao presidente – e superou os julgamentos diários da cadeia de comunicação chefiada por Carlos Lacerda.

O governo de Dilma Rousseff encontra-se em ebulição e os últimos acontecimentos faz-nos crer que o pedido de impeachment será reaberto por Eduardo Cunha, picareta maior que, se fosse atuasse politicamente em um país com leis mais sérias, já estaria bem longe do poder. Tanto a delação de Delcídio do Amaral, passando pela prisão do marqueteiro de campanha João Santana, bem como a possibilidade de Lula virar ministro – o que colabora para uma interpretação dúbia por parte da oposição – são elementos que caem nas costas da presidente, cada vez mais isolada e que assiste, estarrecida, membros de sua própria base aliada abandonarem, num gesto covarde, a aliança firmada com o PT, migrando para a oposição na busca de parceiros para um possível governo de Michel Temer. Um horror!

As expectativas do mercado financeiro dão conta de que a recessão em 2016 pode ser pior que a do ano passado – por enquanto os únicos números positivos são o de baixa da inflação e melhora nos índices de dívida externa. Sabemos que tais mecanismos trabalham sob a égide da especulação. Em um momento dramático como o qual estamos passando, interpretações de que os financistas trabalham para derrubar Rousseff já é clara. Por outro lado, vamos analisar: quais alternativas a presidente e seus ministros estão tomando durante a gestão para reverter o quadro de agonia? Até agora ninguém descobriu a resposta.

O confronto entre situação e oposição ficou mais interessante. As manifestações marcadas para o próximo domingo darão o efeito das atitudes a serem tomadas pelo governo. Lula decidiu partir para o confronto, convocando sua militância para debater frente a frente com a multidão – uma atitude nada inteligente. Caso aceite o convite para tornar-se o mais novo ministro-chefe da Casa Civil, deixará claro o seu receio em ser chamado novamente para depor, ou coisa pior, escorando-se no foro privilegiado.

Aparentemente o ex-presidente ativou a tecla do “já chega!” e vai partir para o confronto sem medo do que vier pela frente. Se ainda for o Lula inteligente estrategicamente, mordaz e político nato, certamente não aceitará ser ministro na gestão Dilma, se preocupando em prestar todas as justificativas necessárias e, quem sabe, preparar o terreno para uma volta em 2018. Do contrário, se for o Lula demagogo e atrasado em seu discurso de começo do século, continuará colocando a culpa de tudo na imprensa e sendo engolido pela tropa dos inocentes que vestem o manto de santo em Brasília.  

Entrevista: professor de Processo Penal fala sobre desdobramentos e polêmicas da Operação Lava Jato

Considerada a maior investigação sobre corrupção conduzida até hoje no Brasil, a Operação Lava Lato chega a sua 24° fase, intitulada ‘Aletheia’. Criada para investigar uma rede de doleiros, a operação conduzida pela Polícia Federal descobriu um enorme esquema de corrupção envolvendo empreiteiras e políticos na 9° maior petroleira do mundo, a Petrobrás.  O debate sobre a legalidade das ações de seu condutor, o juiz Sérgio Moro, veio à tona após um mandado de condução coercitiva contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Lava Jato já expediu quase cem mandados de prisão, 117 conduções coercitivas e abriu investigação contra cerca de 50 políticos.

Para entender melhor sobre o assunto e seus desdobramentos, o candeia foi até o Fórum João Mendes e conversou com o juiz, mestre e doutor em Processo Penal e professor universitário Guilherme Madeira. Acompanhe alguns pontos principais sobre a operação e sua repercussão internacional.